segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Ponto de Situação 12 - agora sem ventilador...

A mãe esteve sem ventilador desde as 1800h ou coisa parecida. Quando eu saí perto das 2100h ainda o médico não tinha passado lá e os enfermeiros estão á espera de saber dos médicos se ligam ou se a mantém a respirar sozinha.
Há duas questões determinantes (pelo que percebi, o que como leigo, não é grande coisa):
1- Como se pode ver pelo dashboard, tem a tensão altíssima (em baixo a encarnado). A tensão tem que baixar e o que lhe foi dado para esse efeito até agora não resultou. Provavelmente vão tentar qualquer outra droga para tentar baixar a tensão.
2- O coração estava a 80 por minuto e tem-se mantido mais perto dos 90 do que dos 80 (em cima a verde). Se ficar muito cansada, o ritmo cardíaco sobe e pode ser aconselhável voltar a usar o ventilador para descansar.
Os 29 a 35 ciclos respiratórios por minuto e os 98% de oxigenação (acho que aquela linha Azul é para isso mas como não mexe há 4 dias não me preocupei a tentar confirmar) parecem não os impressionar nem para um lado nem para o outro.
Fui conseguindo comunicar com ela, ou pelo menos pareceu-me que sim. Pode ser como o mocho: "não fala mas já toma muita atenção" porque por qualquer motivo, quando lhe pedi que me fizesse um sinal que fosse um "sim" às minhas perguntas, abriu muito os olhos. Depois fiz mais umas perguntas às quais se esperava um "sim" como resposta e a que respondeu da mesma maneira. Infelizmente, ainda não chegámos ao "não". Talvez o desprezo com que não respondeu ás perguntas que deveriam ter resposta negativa queira dizer que não está para se cansar a dizer "não", que não estava para me aturar, ou que os "sim" foram por acaso. Mas pareceu-me que era útil tentar entretê-la com "joguinhos" à medida que ia acordando. Não se sabe se está muito consciente e maçadíssima, aflita ou apenas semi-inconsciente, mas pode ser útil ir percebendo isso se continuar incomunicável por muito tempo.

Claro está que a gente fica entusiasmado quando ao fim de 5 dias consegue arrancar-lhe o que julgamos ser um "sim", mas no fundo não quer dizer absolutamente mais nada, senão que está menos sedada. Nem o responder representa um progresso real, nem o não responder representa um retrocesso. Se voltar a ser sedada esta noite para voltar a usar o ventilador, amanhã estamos na mesma. Se assim for e se eu não estiver junto dela quando começar a voltar a estar consciente, sugiro que quem lá estiver comece desta vez pelo "não". Sempre se vai adiantando alguma coisa porque há a esperança de que mais cedo ou mais tarde, possamos realmente comunicar um pouco mais com ela e, brincadeiras à parte, vai ser útil conseguir interpretar os sinais de uma pessoa que pouco mais pode mexer do que os olhos.

Isto promete prolongar-se e como já vimos, o ritmo das alterações é lento e não justifica duas ou três actualizações por dia. Por isso vou passar a escrever os pontos de situação diariamente. Se houver novidades relevantes, escrevo mais. Senão, é assumir que se nada está escrito é porque nada há de novo e no post diário resumo a situação.

Os meus irmãos e eu agradecemos o apoio que nos têm dado, as visitas e as orações pela saúde da mãe. Muito obrigado a todos. É muito bom saber que podemos contar com tantos amigos (da mãe e nossos), e certamente muito útil em muitas alturas.

2 comentários:

  1. Lourenço,
    Essas evoluções são mesmo assim, lentas.
    Não a cansem muito com perguntas que a possam fazer frustrar-se e entrar em ansiedade. Leiam-lhe textos bonitos como os da Sofia Melo Breyner, coisas simples e bonitas que a façam sonhar e andar por sítios bons. Salmos de esperança: o Senhor é meu pastor, a bondade do Senhor , omitindo as impercações. Dêem.lhe boas notícias. Não usem só o ouvido como detonador de reacção, mas também o tacto: festinhas na mão,na cara. Os olhos: imagens bonitas para contemplar. Desejo-lhe e aos primos muita coragem e força para superar este tempo. Helena presas

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    1. Obrigado Helena.
      Ainda bem que me dizes estas coisas. Vou transmitir aos meus irmãos e a quem lá for. Eu tenderia a "puxar" por ela provavelmente demais e de forma errada. Falta de experiência...
      Beijinhos e obrigado

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